Para uma das minhas práticas de imersão de um idioma eu gosto de ler quadrinhos e assistir a desenhos animados pois percebi que ler e/ou escutar um idioma ao mesmo tempo que visualizo as cenas do que acontece na história me ajuda a entender melhor o contexto do enredo daquele mundo imaginário.
Comecei a reassistir um dos meus animes favoritos (
Fullmetal Alchemist - Brotherhood) e no primeiro episódio quando disseram que deveriam buscar pelo alquimista da alcunha "do Aço", foi que percebi... "
eu havia perdido completamente a minha alcunha de Leitora Compulsiva", que foi parte do nome título do meu primeiro blog criado em 2012 para compartilhar as minhas viagens e experiências literárias, blog esse que se tornou um novo passatempo, gravar e editar vídeos para o meu canal do YouYube (desabilitado em desde 2023 quando se tornou mais importante focar na minha carreira profissional).
Para falar a verdade, a minha mãe nunca gostou muito que eu usasse o termo compulsiva, porquê vem de "compulsão", ou seja, um hábito incontrolável, que muitas vezes dava a sensação de que eu lia "no piloto automático", por urgência, e não necessariamente por um prazer tranquilo.
Quando eu falo que perdi a minha alcunha de "Leitora Compulsiva", na verdade eu percebo que me tornei uma "Leitora Voraz", com muitos outros hábitos e passatempos adquiridos ao longo dos meus 30 anos de vida, e que são TANTAS coisas legais e (que eu acho) divertidas que é impossível fazer tudo ao mesmo tempo durante o meu tempo livre.
Mas qual a diferença? Parecem sinônimos, mas tem nuances de significado e sentimentos bastante diferentes. A palavra voraz vem de "devorar", ou seja uma leitora voraz é alguém que consome livros com imenso entusiasmo, paixão e velocidade, que pode ler +50 livros por ano porque ama se perder em novas histórias, e porquê traz alegria e satisfação, se precisar parar para fazer outra coisa, ela consegue (mesmo que com um leve protesto interno).
Despois de pensar muito e refletir sobre as tecnicalidades, eu entendi que eu sentia falta de compartilhar sobre os meu passatempo favorito, ler livros. E também queria um espaço para compartilhar novos passatempos e sobre o meu estudo de idiomas. Por isso que eu voltei a escrever despretensiosamente em um novo blog apenas por sentir saudades de uma parte de mim e de algo que já vivi.
Pensar muito sobre o passado as vezes me faz tentar entender do que exatamente eu sinto falta. Será dos relacionamentos que fiz pelo caminho? Aqueles amigos que já tiveram blog literário e não falamos mais? Será dos vídeos no YouYube e as conexões com os bons comentários dos inscritos?
Voltando ao presente, as sessões de passatempos ocorrem de forma esporádica e sem muita dedicação, é bem estranho dizer isso, afinal porquê se dedicar tanto há algo que é só um passatempo? Mas não é porquê é um passatempo que é menos importante, afinal eu quero algo que perdure por muitos.
E assim eu decidi parar de procrastinar e criar uma nova rotina com pequenos momentos diários comigo mesma durante a semana, sessões de 30 minutos com atividades diferentes que me façam sentir mais feliz comigo mesma e ajudem a voltar para os trilhos, não os mesmo trilhos de 14 anos atrás, mas novos caminhos para a minha versão do futuro.
Acho que esse desabafo pode parecer bem confuso e seja só uma desculpa para que sem aviso prévio eu volte com o meu canal no YouTube ou crie um novo (somente porquê gosto de vídeos longos) para falar sobre as minhas nerdices (livros, jogos fofinhos, animes, séries de tv) e alguns dos meus outros passatempos criativos e daqueles que estou com planos de aprender (como costurar, fazer crochê e desenhar) e que já estou procrastiando por anos e anos por não dedicar tempo verdadeiramente para isso.
Enquanto dedico tempo para os meus passatempos "sem tela" e não me decido completamente por estar novamente em frente a uma câmera gravando vídeos (e depois horas editando os mesmo vídeos na frente de um computator), dedico-me a pequenos momentos de reflexão e escrita neste blog (mesmo que não tenha ninguém lendo além de mim), somente porquê percebi que esse também é um dos meus passatempos mais felizes.
PS: a foto acima, é da minha viagem recente onde tive algumas poucas horas em Lisboa, onde conheci uma cafeteria que também vendia livros (em russo e ucraniano) e compartilhava uma página de desenhos feitos por uma artista local para o cliente colorir enquanto espera pela comida.
V.
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